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Por que todos amam Iemanjá? A Rainha do Mar que Acolhe e Transforma

Atualizado: há 4 dias

YEMANJA NO MAR

O Abraço Materno do Oceano: Uma Maternidade Extrema

Iemanjá é, em sua essência mais profunda, a maternidade em condição extrema. Seu nome, Yèyé omo ejá, que significa "mãe cujos filhos são peixes", já nos diz muito. Não é só sobre fertilidade, mas sobre a multiplicidade, a dispersão e a incrível capacidade de sobrevivência. Pense bem: assim como o mar acolhe a todos, Iemanjá recebe, abraça e sustenta, especialmente aqueles que sentem a dor do exílio, do luto, da transformação forçada.

Suas águas salgadas não são apenas um convite à purificação; elas são a memória viva da travessia atlântica, as lágrimas acumuladas de um povo, o sal do corpo e da história. O mar que hoje celebramos como berço de vida foi também o mar que separou famílias, violentou e ceifou vidas. E mesmo assim, Iemanjá permanece como a Mãe , não a mãe idealizada de contos de fadas, mas a mãe real, que segue junto, que sustenta quando tudo parece ter sido arrancado.

Essa conexão com o oceano é, portanto, existencial e histórica. O mar como útero primordial da vida, sim, mas também como um campo de passagem e de trauma. Iemanjá encarna essa ambivalência de forma magistral: ela gera e regenera, nutre e protege, sem jamais apagar a dor que precede o renascimento.

Mitos que Falam ao Corpo e à História: A Força da Reconstrução

Os mitos de Iemanjá não são apenas histórias antigas; são narrativas poderosas de deslocamento, fuga e reconstrução que ressoam em nossas próprias vidas. No mito do Pote de Olokun, por exemplo, Iemanjá, ao quebrar o recipiente sagrado e se transformar em rio para escapar da humilhação, nos mostra um gesto radical: o de retornar à própria essência para sobreviver. O rio que corre até o mar é a imagem perfeita da diáspora: um movimento forçado que, com fé e resiliência, se transforma em destino.

E na lenda da montanha partida por Xangô, Iemanjá não age sozinha. Ela atravessa com a ajuda de seus filhos, revelando uma verdade fundamental: a sobrevivência nunca é individual, mas coletiva. A maternidade aqui não é passiva; é uma força que rompe barreiras, que abre caminhos, que insiste em existir e florescer, apesar de todas as tentativas de apagamento.

Esses mitos continuam a nos tocar porque espelham trajetórias humanas marcadas por violências estruturais, sim, mas também por uma inteligência ancestral, uma fé inabalável e uma capacidade infinita de reinvenção.

As Múltiplas Faces de um Amor em Resistência

Iemanjá não é uma figura única e estática. Suas diversas qualidades revelam a complexidade de um amor que se adapta e resiste. Temos Ogunté, a guerreira, que protege em territórios hostis. Sabá, a anciã, que guarda a memória e a sabedoria do tempo. Assesu, a ressaca, que limpa com força o que precisa ser transformado. E sim, a figura da sereia, tão difundida, que revela tanto seu magnetismo quanto os processos de embranquecimento e europeização que marcaram sua imagem no Brasil.

Cada uma dessas faces nos permite acessar um aspecto do feminino que não é dócil por definição, mas profundamente estratégico, intuitivo e resiliente. Iemanjá não é uma só porque seu povo também não pôde ser. Ela é a soma de todas as suas experiências, de todas as suas dores e de todas as suas vitórias.

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Símbolos de Fé, Memória e Renovação

O branco e o azul, a prata que reflete a lua, as conchas, os espelhos (abebé) e as estrelas-do-mar – todos esses símbolos carregam camadas de significado que vão muito além da estética. São emblemas de continuidade, de uma vaidade sagrada, de reconhecimento do próprio reflexo mesmo após as tentativas de apagamento.

O dia 2 de fevereiro, quando milhares de pessoas se vestem de branco e caminham até o mar, não é apenas uma celebração. É um ato coletivo de memória, um ritual que se renova anualmente para nos lembrar que, apesar de toda a violência histórica, a relação com as águas – doces ou salgadas – permanece viva e pulsante.

Uma Conexão que Atravessa o Tempo e o Ser

Iemanjá é amada porque ela representa aquilo que resiste em nós quando tudo muda: a necessidade de pertencimento, de cuidado e de continuidade. Ela não é apenas a Rainha do Mar, mas a memória viva do rio que chegou ao oceano, carregando consigo a história de um povo.

Em suas águas, encontramos não só paz e purificação, mas a consciência de que todo recomeço carrega uma história. Iemanjá vive onde há travessia, onde há corpo, onde há maternidade que insiste em existir apesar do mundo. Que sua força nos inspire a honrar nossas próprias travessias, a abraçar nossas múltiplas faces e a encontrar a renovação em cada ciclo da vida.

Conheça os rituais na água em nosso livro 12 Rituais com a Água-Marinha , uma homenagem a uma das pedras sagradas de Iemanjá.https://www.anaterazu.com/aguamarinha

Com amor e memória,

Ana Terazu

Referências:

1.Ciência Hoje das Crianças. O mito de Iemanjá.

2.Brasil Escola. Iemanjá: poder, história, orações, pedidos, filhos.

3.Significados. Iemanjá: quem é, história e significado (Umbanda e Candomblé)

 
 
 

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